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23/06/2020 09h16 - Atualizado em 23/06/2020 10h06

Casa, espaço para novas inspirações

Casa, espaço para novas inspirações

Aquele lugar preferido e inspirador para o artista em sua casa, nunca ganhou tanta importância como nos últimos meses. Trocar ideias, pesquisar, pintar, esculpir, desenhar, aprender e ensinar são ações que ganharam outro espaço e sentido, mesmo que de forma temporária. Um mestre aposentado, um professor e um aluno da Escola de Artes Oswaldo Verano (Eaov) contam sobre as mudanças que a pandemia trouxe na produção e interação em torno da arte. A Eaov é uma unidade gerida pela Secretaria Municipal de Cultura, da Prefeitura de Anápolis.   

Evitar as ruas, o contato com as pessoas e os lugares de maior movimento na cidade trouxe um comportamento de introspecção, mas sem deixar de se preocupar com o mundo a sua volta. “As incertezas de quando essa situação irá acabar e todas essas emoções afetam o artista, ele fica mais vulnerável e sensível em relação ao mundo”, explica Isaac. Em seu ateliê, ele tem cuidado das minúcias de suas obras atento aos detalhes que antes não foram percebidos.

Em sua trajetória, Isaac atuou em unidades públicas no ensino e difusão da arte. Foi diretor do Museu de Artes Plásticas de Anápolis (MAPA) e é professor aposentado pela Eaov. Participou de mostras pelo País e nelas premiado. Seu percurso estético e temático passou por motivos sociais, surrealistas, ambientais e atualmente dedica à pintura de paisagens, principalmente do mundo rural. “Continuar minha atenção no campo traz o refúgio para minha mente, em contraponto ao caótico urbano, porém também me chama a atenção as cenas da cidade vazia”, aponta Isaac, lembrando principalmente como as cidades estavam no início da pandemia.

Contemporâneo

A pandemia junto à suspensão de atividades que envolvam aglomerações foi um choque para o professor de artes visuais, Rondinelli Linhares. Sempre preferiu a relação com os alunos conversando olho no olho e tratando diretamente com a comunidade da Eaov. “Fiquei petrificado, em um primeiro momento me deu um choque pelas incertezas e a indefinição de quanto tempo tudo isso durará”, conta Rondinelli. A situação o paralisou inicialmente, porém em seguida surgiram as ideias e principalmente retomando uma série de criações iniciada em 2009.

O resgate deste trabalho, de 2009, trouxe os elementos que estavam presentes nas as imagens no País e em todo o mundo: máscaras, álcool para higienização e kits de proteção individual (EPI’s). “Com o tempo percebi que estava dando corpo a tudo o que eu tinha medo, aquilo não estava fazendo bem para mim”, explica Rondinelli. Mudou sua criação para outro estímulo, seus trabalhos baseados na obra literária “Para sempre Alice”, que se popularizou com adaptação em filme, onde trabalhou os ambientes esvaziados de pessoas, sem deixar de evidenciar os rastros deixados pela presença humana.

Rascunhos

“Neste período da quarentena, fui à Escola buscar a minha tela para finalizar em casa”, conta o aluno da Eaov, David Silva Lima, que se encontra na unidade desde 2015 realizando os cursos oferecidos pela grade. Além de um tempo dedicado ao estudo de cores, David tem aprimorado seu olhar para seus próprios desenhos neste contexto de pandemia. O tempo dinâmico e agitado do cotidiano foi trocado pelo “fazer menos, mas com calma”. David percorre um caminho de experimentação a partir de ensaios por esboços (sketches) e compreende este tempo como uma oportunidade de pensar no que fará artisticamente no futuro.

Em uma comunidade com mais de 300 professores e alunos da Eaov, são mantidas as interações e conteúdos através das redes sociais. Semestralmente, a unidade realiza exposições, visitas e outras atividades para além da grade curricular incentivando a criação para além das salas de aula. “A livre produção na comunidade escolar é o que enriquece a troca de experiências e desperta potencialidades, mesmo em momentos como este”, pontua o secretário municipal de Cultura, Wilson Velasco.